Inventário do Potencial Vitícola

A história da viticultura nacional, à semelhança do que se verifica na maior parte dos países vitícolas europeus, tem observado grandes oscilações como reação dos mercados. Assim, com frequência se verificaram períodos de expansão algo descontrolada, originando subida dos preços e arrastando atrás de si os volumes de produção, após o que o mercado tem levado a correções que, não raro, têm gerado graves crises, levando os viticultores a situações muito difíceis.

Em Portugal, já depois das crises observadas durante os finais do século XIX e durante o século XX e que culminaram com os problemas registados nas décadas de 60 e 70, verificou-se um significativo abandono da atividade, tendo como consequências o abandono de extensas áreas de vinha ou a sua substituição por outras culturas.

Com a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia foram criados mecanismos de abandono definitivo, que permitiram arrancar a vinha de locais menos propícios para a cultura, a par da criação de instrumentos legais e financeiros que permitiram e facilitaram a replantação de importantes superfícies de vinha em zonas e áreas mais convenientes e de maior aptidão.

Atualmente e com a aprovação da nova Organização Comum de Mercado dos Produtos Agrícolas (OCM única) no setor vitivinícola pretende-se aumentar a competitividade dos produtores de vinho comunitários e estabelecer um regime vitivinícola que funcione com regras claras, simples e eficazes que permitam equilibrar a oferta e procura, de forma a preservar as melhores tradições da produção vitivinícola comunitária, reforçando o tecido social de muitas zonas rurais e assegurando o respeito pelo ambiente.

Verifica-se assim que as questões relativas ao potencial vitícola continuam a assumir particular importância sendo de salientar a promoção da medida de reestruturação e reconversão vitícola que tem uma influência direta no Potencial Vitícola e na produção de vinhos de qualidade.

Evolução da Produção de Vinho em Portugal Continental (1883 - 2014)

Potencial Vitícola

A área de vinha plantada em Portugal Continental, em 31 de Julho de 2014 era de 218.677 hectares, apresentando-se a sua distribuição regional no quadro infra.

Na mesma data, a Região Autónoma dos Açores apresentava uma área de 1.700 hectares e a Região Autónoma da Madeira uma área de 1.071 hectares.

 

Região Vitivinícola

Área (ha) 

 

DOP *

Total


Minho 15 810 27 432

Trás-os-Montes 417 23 303

Douro 40 378 43 611

Beiras 8 370 52 670

Lisboa 1 074 22 425

Península de Setúbal 2 154 8 622

Tejo 1 161 15 653

Alentejo 10 090 23 188

Algarve 119 1 733

Total 79 573 218 677

 

Castas mais utilizadas

Quanto aos encepamentos mais utilizados nas vinhas portuguesas verifica-se que há um conjunto de 26 castas mais utilizadas que representam um peso de cerca de 55% da área total de vinha, havendo uma predominância nas castas tintas com 15 castas, para 38 % do total da área de vinha, onde se incluem três castas internacionais.

As castas brancas estão representadas com 11 castas, todas nacionais e representam 17% da área de vinha.